Definir uma vocação parece muito simples, e realmente é. Pode-se dizer teoricamente que vocação é um apelo do Coração de Deus ao coração do homem, um chamado a assumirmos uma participação na realização do sonho de Deus para a humanidade. Mas quando falamos das coisas do alto, percebemos que as ações divinas são mescladas de simplicidade e mistério. Ou seja, Deus não é complicado, mas se manifesta cheio de encanto e envolvimento.
O grande sonho de Deus, ou podemos ainda chamar este sonho de projeto, começa a se concretizar humanamente no presépio de Belém, ele que se faz homem para que nós pudéssemos participar de sua divindade. Acontece aí um envolvimento do Criador com a criação, um fenômeno nascente da grandiosidade de Deus. Somente quem é puramente simples pode se dar assim, porém não se deixa corromper porque não perde sua essência divina. Como compreender a atitude de um Deus que se faz humano, que se coloca frágil numa manjedoura, que se entrega aos cuidados humanos e se faz dependente? Não se pode explicar. Os mistérios divinos não são para serem desvendados, é uma parte de Deus não desvelada que nos impulsiona a ele. Sinal de um amor que opera desde sempre e adentra a eternidade.
Seria diferente com a vocação humana? É claro que não. Todo chamado também está envolto em mistério. Quando falamos de vocação, explicamos o fato, mas não o sentimento. Podemos dizer tudo o que fazemos em prol de plano salvífico de Deus; conseguimos explicar como se dá o nosso trabalho, mas ficamos sem palavras quando tentamos nomear o que nos atrai, o que dá sentido a tudo, principalmente quando somos questionados e incompreendidos. Não se definem gestos de amor. Ser chamado por Cristo é antes de qualquer coisa ser chamado a amar. Tudo isso se dá porque a proposta de Deus é demasiadamente atraente, loucura para o mundo. Exige cada vez mais uma doação de nós mesmos, de maneira que não admite mediocridade.
No Advento vemos como Deus confia no homem e como a própria ação divina está vinculada à nossa adesão a ele. Foram os “sims” de pessoas como João Batista, Nossa Senhora, São José e tantos outros que possibilitaram o grande SIM de Cristo em favor da humanidade. Deus não agiu sozinho. Embora pudesse assim fazer, ele quis precisar do homem para a salvação do próprio homem.
Desta forma, a vocação de cada pessoa, seja à vida leiga, presbiteral, religiosa ou consagrada, passa antes de tudo pelo Coração de Deus e depois pelas pessoas que nos cercam. Acolher a vocação de uma pessoa em nosso meio é acolher a vontade de Deus. Cultivar um chamado é acreditar que Deus age no nosso meio através de nós mesmos e de cada um.
Pastoral Vocacional MSC