Seção: Pode perguntar
Texto: Pe. Humberto Capobianco, mSC
Maria das Dores, pelo visto, você, além de ter opinião, parece acompanhar esse tema que está pululando na mídia. Dá até a impressão de que você leu também o documento sobre direitos humanos, publicado há pouco, pelos bispos do Brasil. Parabéns!
Primeiro, é preciso ficar bem claro que a Igreja não é contra os homossexuais. Seria uma contradição e uma incoerência por parte de uma instituição que procura pautar suas diretrizes pelo evangelho de Jesus. De fato, a Igreja já foi muito rígida em relação ao homossexualismo, entre outras coisas porque a moral cristã, tanto a católica como a protestante, sempre teve dificuldade em situar o lugar antropológico e ético do prazer sexual, considerado uma espécie de mal necessário. Aliás, valorizando exageradamente a finalidade procriativa da sexualidade, desprezavam-se outros critérios como, por exemplo, a “filia” e o “ágape” cristãos, magistralmente explicados por Bento XVI em sua primeira encíclica. Em outro pronunciamento, é ele mesmo, o rigoroso Ratzinger da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, quem diz: “ é de se deplorar que pessoas homossexuais tenham sido e sejam ainda hoje objeto de expressões malévolas e de ações violentas. Semelhantes comportamentos merecem a condenação dos pastores da Igreja, onde quer que aconteçam. Eles revelam uma falta de respeito que fere os princípios elementares sobre os quais se alicerça uma sadia convivência civil.”
Vai na mesma linha o Catecismo da Igreja, quando afirma que “a homossexualidade implica relações entre homens e mulheres que sentem atração sexual, exclusiva ou predominante, por pessoas do mesmo sexo. Esse fenômeno fundamente humano, tem uma origem psicológica ainda sem explicações satisfatórias. Além disso, revestiu-se das mais variadas formas ao longo dos séculos, de acordo com as distintas culturas. A cultura de hoje lhe conferiu algumas características próprias de nosso tempo”.
Maria das Dores, quanto á sua segunda pergunta, embora você encontre entre teólogos, posições as mais diversas, até mesmo opiniões divergentes, a posição oficial da Igreja está claramente exposta na Declaração da CNBB sobre o PNDH – 3, Programa de Direitos Humanos, emanado do governo federal. Na referida declaração, os bispos afirmam, entre outras coisas, que “a mesma veemência que se demonstra na defesa da vida em sua dimensão social, deve ser demonstrada na defesa da vida em sua dimensão pessoal, bem como na defesa de todos aqueles valores e realidades que dignificam o ser humano, como a família, a religião, a reta compreensão da sexualidade, entre outros”. “ . . .” Reafirmamos nossa posição, já muitas vezes manifestada, em defesa da vida e da família, da dignidade da mulher, do direito dos pais à educação de seus filhos, do respeito aos símbolos religiosos e contrária à prática e à descriminalização do aborto, ao ‘casamento’ entre pessoas do mesmo sexo, à adoção de crianças por casais homoafetivos e à profissionalização da prostituição”.
Em suma, embora a Igreja esteja aberta ao progresso das ciências e deixe brechas para a ação pastoral no que tange ao campo da homossexualidade, contudo não é nas ciências que ela vai buscar os critérios decisivos sobre ética sexual. Seus critérios e valores se radicam na fé, permanecendo fiel ao que julga ser a verdadeira tradição cristã, preservando a família e a educação da juventude, hoje ameaçadas por uma vasta onda de permissividade sexual.
Pe. Humberto Capobianco, mSC é Diretor do Colégio John Kennedy em Pirassununga, SP.