Revista de Nossa Senhora
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Você acessou a Edição Agosto – 2011

RESPEITO, MINORIAS E MAIORIAS

Texto: Pe. Zezinho, SCJ

O tema é candente e é de direitos humanos. Aplaudimos todas as iniciativas, se necessário também as coercitivas, contra o desrespeito à mulher, às crianças, aos negros, aos indígenas, aos homossexuais, aos judeus, aos muçulmanos e a todas as minorias; sobretudo contra palavras, piadas, notícias tendenciosas e gestos que criem preconceitos, conceitos deturpados, julgamentos precipitados, desinformação, mentira e violência contra qualquer pessoa ou grupo de pessoas.

Não é este o espírito da coisa? De fato, incomoda ver alguém ridicularizando um gay, um negro, um judeu, um muçulmano, um índio de maneira a inferiorizá-los. Indivíduos e grupos estão reagindo em nome do politicamente correto. E fazem bem em defender-se. Denúncias, só com os dados concretos na mão e nunca de maneira generalizada, como se todos os negros, todos os gays, todos os índios, todos os muçulmanos, ou todos os judeus agissem daquela forma.

Vejo, porém, que nós, declarados cristãos, católicos e evangélicos que somos maioria neste país, num percentual que beira os 90%, não temos tido o mesmo tratamento. São frequentes os artigos, as indiretas, as invectivas, as piadas, as insinuações contra o papa e os bispos, e até as diatribes em colunas de jornais e revistas contra nós, quando defendemos alguma posição antagônica a quem, -diga-se de passagem- defende as minorias.

Contra as minorias não pode, mas contra a maioria pode? Contra o Governo pode porque é governo e contra as minorias não, pode porque são minoria? Ou contra o Governo não pode, porque é governo, mas pode contra ONGs ou minorias incômodas? Contra as grandes religiões, que são maioria pode, mas não pode contra as minoritárias? Podem generalizar contra padres e pastores, mas não podem generalizar contra rabinos e aiatolás ou gays?

Estamos de acordo. Não se deve ridicularizar o Congresso, que é minoria forte, mas minoria. Fale-se do congressista que errou ou dos congressistas que erraram, mas não do Congresso. Fale-se de alguém da minoria que errou e sem perder o respeito, apesar do seu erro, mas não se incluam todos os do seu grupo.

As leis existem. Vejo que os que apoiam os nazistas ou os terroristas são punidos ou silenciados e que os articulistas são cuidadosos ao falar das minorias. E isto é correto. Mas não vejo o mesmo cuidado em algumas colunas de periódicos, nem em reportagens inflamadas contra a Igreja da qual faço parte ou contra os outros cristãos. Nesse caso parece que pode. Alguma Geni precisa sobrar para que possam jogar aquilo nela!

Preconceito, contra pequenos ou grandes, continua preconceito. Reveja-se a prática. Como está, parece que atirar pedras contra os católicos, contra o Vaticano, contra os americanos, contra o Congresso, contra este ou aquele partido pode, mas contra os da lista dos intocáveis, não! Talvez fosse conveniente estampar uma lista nos metrôs e aeroportos, dizendo contra quem é proibido tecer críticas e até graves ofensas e contra quem é democraticamente permitido… Ao que tudo indica, a lista já existe e funciona no estilo “paulada nesses! pega leve com aqueles”…

Pe. Zezinho, SCJ é músico e escritor. Tem aproximadamente 80 livros publicados e mais de 115 álbuns musicais.

Subiu aos CÉUS e está sentado à direita de DEUS

Texto: Pe. Paulo Roberto Gomes, mSC

Ao professarmos nossa fé na ressurreição de Jesus, afirmamos sua subida aos céus. Trata-se de uma forma de expressar sua entrada na plenitude do Pai, na Glória, como o vencedor da morte, do mal e do pecado. O céu é Deus, enquanto plenitude da felicidade e da salvação. Não é um lugar físico-espacial, pois estamos falando de realidades que ultrapassam o tempo e o espaço.

Aquele que desceu aos infernos da rejeição humana e da humilhação, cuja violência e agressividade foram descarregadas sobre Ele, pelas autoridades do seu tempo, incomodadas com as mudanças propostas, é reabilitado e confirmado pelo Pai. O Verbo que habitava junto a Deus e se fez homem (Cf. Jo 1,1-18), depois de cumprir sua missão e nos mostrar o caminho que devemos trilhar, retorna para o Senhor. Ele mesmo havia dito “ninguém subiu ao céu a não ser aquele que desceu do céu” (Jo 3,13).

A ressurreição de Jesus e sua entronização na Glória do Pai nos fazem compreender o nosso destino, como Ele, se vivermos nossa missão, trilharmos os seus passos e soubermos dar sentido à nossa vida, saberemos dar sentido para nossa morte. Aguardamos nossa futura ressurreição como nova criação, transformação desse corpo perecível num corpo glorioso.

A “subida aos céus e o estar sentado à direita de Deus Pai Todo-Poderoso” afirma claramente a identidade desse inocente, pobre e justo que sempre se colocou ao lado dos oprimidos e excluídos. Mostra o Deus já revelado no Antigo Testamento como o Deus de Amor e Misericórdia, capaz de dar-nos seu Filho, não obstante nossa ingratidão e rejeição.

A partir da ressurreição e glorificação, Jesus vive e habita o universo. Faz-se presente como o Vivente na Palavra proclamada, na comunidade reunida, em cada pessoa, no ministro seu servidor, no pão e vinho eucarísticos. Trata-se agora de uma presença real e concreta, mas de outra natureza. Jesus não percorre mais nossas ruas, não sussurra suas palavras em nossas praças, não pode mais ser tocado pelas nossas mãos e visto com nossos olhos. Porém, não está ausente. Ele continua sua obra e sua missão através de nós: fala pela nossa boca e contempla o mundo pelos nossos olhos, transforma a realidade pelas nossas mãos desde que o acolhamos. Podemos ser o seu coração num mundo sem coração e contribuir muito para humanizar nossa sociedade, se deixarmos que Ele nos conduza.

Pe. Paulo Roberto Gomes, mSC,  Teólogo e Pároco da Comunidade S. Paulo, em Muriaé, MG