Assim, Lucas mostra que o Ressuscitado caminha conosco, conhece nossas tristezas, instrui-nos pelas Escrituras e ao celebrar a Eucaristia conosco, envia-nos em missão. O irmão, a Palavra e a Eucaristia, a partir da vivência em comunidade, são as formas de experimentar o Cristo Vivo
Jesus foi crucificado na sexta-feira, véspera da Páscoa celebrada pelos judeus. Sua ressurreição é apresentada no primeiro dia da semana – quando tudo recomeça – e ao amanhecer do dia. Um novo dia é oportunidade de nova luz para recomeçar a vida. As primeiras testemunhas da Ressurreição são as mulheres marginalizadas da época (24,1-12). Pela sociedade não podiam ser testemunhas, por Deus a palavra delas é verdade.
Ao falarmos da Ressurreição de Jesus devemos tomar alguns cuidados. Não se trata de um cadáver que volta à vida, ainda que o cadáver de Jesus possa ter passado por uma transformação. Outro cuidado: a única forma de falar de algo grandioso como a vida nova em Deus era usando imagens. Não podemos tomar as imagens ao pé da letra, mas como ilustrações para compreender a mensagem.
Assim, Lucas mostra que o Ressuscitado caminha conosco, conhece nossas tristezas, instrui-nos pelas Escrituras e ao celebrar a Eucaristia conosco, envia-nos em missão. O irmão, a Palavra e a Eucaristia, a partir da vivência em comunidade, são as formas de experimentar o Cristo Vivo (24,13-35). A insistência nas chagas das mãos e dos pés é uma forma de o evangelista mostrar que o ressuscitado não é um fantasma, mas o Crucificado transfigurado no poder de Deus. Depois de algumas instruções, Lucas narra a ascensão de Jesus (24,36-53) como forma de fazer uma ponte entre seu Evangelho e os Atos dos Apóstolos. Revela também que a partir de agora Cristo termina sua missão e começa a missão de todos nós, que pelo batismo, nos tornamos Igreja.
Pe. Paulo Roberto Gomes, MSC é teólogo e pároco da Comunidade Paroquial São Paulo, em Muriaé, MG