A ressurreição é a experiência feita pelos discípulos de Cristo após sua morte, na qual o perceberam como o Vivente no meio de nós. Não se trata da volta ou revificação de um cadáver, mas de uma transformação e transfiguração desse corpo mortal pelo poder de Deus num corpo glorioso e espiritual.
Para nós cristãos, um dado fundamental de nossa profissão de fé é a ressurreição de Cristo, que nos possibilita entender e crer na nossa ressurreição futura. Desde o Antigo Testamento vai crescendo, na consciência do Povo de Deus, a certeza de que nossa existência não se reduz ao aqui e agora. Aguardamos a justiça divina e a eternidade.
Os evangelhos, obras escritas para manter viva a fé da comunidade, anunciam que o Reino de Deus, ou seja, sua ação a nos governar acontece nesse mundo, direcionando-nos para as promessas futuras. Jesus, o profeta do Reino, fala de um mundo novo possível aqui, apontando para a plenitude vivida na eternidade.
A ressurreição é a experiência feita pelos discípulos de Cristo após sua morte, na qual o perceberam como o Vivente no meio de nós. Não se trata da volta ou revificação de um cadáver, mas de uma transformação e transfiguração desse corpo mortal pelo poder de Deus num corpo glorioso e espiritual (Cf. 1Cor 15,1-53). A Bíblia fala de ressurreição dos mortos e ressurreição do corpo para acentuar a continuidade da vida da pessoa. Na cultura bíblica o corpo é entendido como pessoa e a carne como criatura humana. O corpo biológico e corruptível será semeado no jardim do mundo. O corpo glorificado ou a carne – entendida como criatura humana – será recriado no poder de Deus.
Falar da ressurreição de Cristo significa afirmar que o Pai toma a defesa do justo, do inocente e do profeta que foi feito vítima por uma sociedade violenta e agressiva. Afirma a vitória da vida contra a morte, contra o pecado e o mal. Deus Pai, ao ressuscitar Jesus, toma sua defesa e confirma tudo o que Ele disse e fez.
Dizemos que Cristo ressuscitou ao terceiro dia. Sabemos que a ressurreição acontece no momento da morte como Lucas demonstra no episódio do ladrão crucificado (Cf. Lc 23, 39-43). Se contarmos a noite da sexta-feira, o sábado inteiro e o domingo pela manhã, não chegamos aos três dias cronológicos. Qual o significado então dos três dias? Os evangelistas utilizam Oséias 6, 2, que fala da esperança da ressurreição do povo, para dizer que em Cristo temos a certeza da nossa ressurreição. Portanto, professar a fé dizendo “ressuscitou ao terceiro dia” não é outra coisa senão professar nossa fé na ressurreição do Cristo e na ressurreição de todo o Povo de Deus. Esta é a nossa esperança que alimenta nossa fé na certeza que a vida, como Graça de Deus, jamais se perde.
Pe. Paulo Roberto Gomes, mSC é Teólogo e Pároco da Comunidade São Paulo, em Muriaé, MG