Revista de Nossa Senhora
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Subiu aos CÉUS e está sentado à direita de DEUS

Publicado em 1 de agosto de 2011 / Agosto - 2011 > Edições >

Texto: Pe. Paulo Roberto Gomes, mSC

Ao professarmos nossa fé na ressurreição de Jesus, afirmamos sua subida aos céus. Trata-se de uma forma de expressar sua entrada na plenitude do Pai, na Glória, como o vencedor da morte, do mal e do pecado. O céu é Deus, enquanto plenitude da felicidade e da salvação. Não é um lugar físico-espacial, pois estamos falando de realidades que ultrapassam o tempo e o espaço.

Aquele que desceu aos infernos da rejeição humana e da humilhação, cuja violência e agressividade foram descarregadas sobre Ele, pelas autoridades do seu tempo, incomodadas com as mudanças propostas, é reabilitado e confirmado pelo Pai. O Verbo que habitava junto a Deus e se fez homem (Cf. Jo 1,1-18), depois de cumprir sua missão e nos mostrar o caminho que devemos trilhar, retorna para o Senhor. Ele mesmo havia dito “ninguém subiu ao céu a não ser aquele que desceu do céu” (Jo 3,13).

A ressurreição de Jesus e sua entronização na Glória do Pai nos fazem compreender o nosso destino, como Ele, se vivermos nossa missão, trilharmos os seus passos e soubermos dar sentido à nossa vida, saberemos dar sentido para nossa morte. Aguardamos nossa futura ressurreição como nova criação, transformação desse corpo perecível num corpo glorioso.

A “subida aos céus e o estar sentado à direita de Deus Pai Todo-Poderoso” afirma claramente a identidade desse inocente, pobre e justo que sempre se colocou ao lado dos oprimidos e excluídos. Mostra o Deus já revelado no Antigo Testamento como o Deus de Amor e Misericórdia, capaz de dar-nos seu Filho, não obstante nossa ingratidão e rejeição.

A partir da ressurreição e glorificação, Jesus vive e habita o universo. Faz-se presente como o Vivente na Palavra proclamada, na comunidade reunida, em cada pessoa, no ministro seu servidor, no pão e vinho eucarísticos. Trata-se agora de uma presença real e concreta, mas de outra natureza. Jesus não percorre mais nossas ruas, não sussurra suas palavras em nossas praças, não pode mais ser tocado pelas nossas mãos e visto com nossos olhos. Porém, não está ausente. Ele continua sua obra e sua missão através de nós: fala pela nossa boca e contempla o mundo pelos nossos olhos, transforma a realidade pelas nossas mãos desde que o acolhamos. Podemos ser o seu coração num mundo sem coração e contribuir muito para humanizar nossa sociedade, se deixarmos que Ele nos conduza.

Pe. Paulo Roberto Gomes, mSC,  Teólogo e Pároco da Comunidade S. Paulo, em Muriaé, MG