Revista de Nossa Senhora
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Um Sacerdote Feliz!

Publicado em 5 de outubro de 2011 / Edições > Outubro - 2011 >

Padre Francisco Janssen partiu para a casa do Pai no dia 16 de agosto deste ano. Aos 98 anos de idade entregava a sua vida a Deus e marcava no coração da terra o seu sinal de otimismo, trabalho e esperança na vida. Fundador desta revista, idealizador do Santuário de Nossa Senhora do Sagrado Coração, ele recebe a nossa homenagem pelos frutos do trabalho que ainda hoje espalha esperança e alegria no coração dos que frequentam este Santuário. Padre José Roberto Bertasi, mSC, escreve sobre este missionário que, há mais de 70 anos, deixou a Europa para trabalhar em nossa terra e aqui viver uma vida fecunda de dedicação ao povo.

 “O VIGÁRIO FELIZ”

No ano de 2004, aos 91 anos, lúcido, alegre, disposto e com a mesma potência de voz quando mais jovem, ele voltou a encantar seus ouvintes, no domingo, dia 22 de setembro, no Santuário Nossa Senhora do Sagrado Coração. Foi uma breve visita a fim de matar a saudade, rever os amigos, ouvir novamente o carrilhão e contemplar o majestoso templo fincado na colina sagrada, do qual foi idealizador e construtor. Ele mesmo se sentiu surpreso com a acolhida dos fieis e como ainda era lembrado. Uns diziam: “Eu fui seu coroinha”; “o Sr. me convidou para fazer parte da Legião de Maria”; “o Sr. fez minha Primeira Eucaristia”; “o Sr. celebrou meu casamento”. Muitos queriam abraçá-lo ou apenas dizer uma palavra amiga. Tranquilo e humilde como sempre, atendia a todos com bondade e quando aplaudido, gesticulava com as mãos, pedindo um basta.

Toda esta admiração do povo de Vila Formosa tem uma motivação ímpar, ou seja, o padre idoso que estava ali, viveu longos anos por aqui desde quando era um jovem padre. Entusiasta, admirador da arte e de grandes ideais, não se conformou ao chegar aqui e constatar que a imagem de Nossa Senhora do Sagrado Coração estava entronizada numa antiga garagem de ônibus, transformada em capela. Ele que se considerava o “vigário feliz” de Nossa Senhora do Sagrado Coração, sem alarde, tomou a decisão de construir um belo e definitivo templo onde a Mãe de Deus fosse venerada com dignidade. As campanhas em prol da construção do Santuário ganharam receptividade em todo o Brasil e o “vigário feliz de Nossa Senhora” deu início às obras. Mas ele queria ir além e, com determinação, pediu que um artista holandês colocasse nas paredes do Santuário as lindas pinturas que não cansamos de admirar. Fez subir à torre um carrilhão com 47 sinos, o primeiro da América Latina. E quem não se lembra das paradas mariais, da coroação papal de Nossa Senhora, das tradicionais representações da Paixão durante a Semana Santa, do apogeu dos Anais, do negrinho Ximbó e de tantas outras iniciativas?

Hoje, com a venerável idade de 91 anos, ele continua seu trabalho diário como qualquer outro operário. Além de administrar a Pequena Obra, ele acha tempo para escrever livros. Este intrépido Missionário do Sagrado Coração, que nos deu a honra de sua visita, é o Padre Francisco Jassen, cujo nome está gravado perpetuamente nesta colina sagrada. Parabéns, Padre . Francisco! A maratona foi exigente e cansativa, mas o senhor é merecedor da medalha de ouro na Olimpíada da história de Vila Formosa.

Este texto foi escrito em 2004, quando era responsável pela formação dos teologantes MSC). Transferido para a cidade de Itapetininga, SP, durante dois anos fui acompanhante espiritual dos nossos seminaristas em Campinas, e lá me encontrava com o Padre Francisco todos os meses e Deus me proporcionou bons encontros com este sábio padre. Antes de qualquer atividade, entrava nos seus aposentos e lá estava ele sempre atarefado. Era uma oportunidade rara de ouvi-lo. E que sabedoria! Quando completou noventa e cinco anos, felicitei-o e imediatamente me disse: “Muito bom! Estou curioso para ver qual será o final de tudo isso”! Outra vez mencionou o seguinte: “Sabe, sinto já uma nostalgia do céu”! Uma frase que ficou para sempre gravada em minha memória, pois não entendi o significado da palavra “nostalgia”. Vez por outra este seu pensamento vinha a minha mente. Queria decifrar este enigma. Creio que somente uma vida dedicada aos outros, com alegria, já experimenta a eternidade aqui. Aliás, o céu começa aqui e desemboca em plenitude no momento de nossa PASSAGEM! É a Páscoa do Senhor e nossa também. Chegava a celebrar duas ou três missas em várias paróquias de Campinas. Sentado em carrinho de quatro rodas, celebrava como se fosse sua primeira missa. Encantava a Assembleia Litúrgica com sua possante voz e criatividade. Além disso, era uma maneira de se sentir útil e vender seus livros, cujo resultado enviava para a formação dos futuros Missionários do Sagrado Coração. Sempre com a cabeça fervilhando de ideias, escreveu mais de vinte e três livros com a colaboração de. Maria Astride Saad Corradi, paroquiana amiga dos tempos de São José do Rio Preto, a qual revisava e completava seus livros. No ano passado, já cansado pelo peso da idade e devido à perda parcial da visão, resolveu escrever seu último livro, e o título não poderia ser outro: “A verdadeira história de UM SACERDOTE FELIZ”! Vale a pena conferir. Nos últimos três anos, cada vez que terminava de escrever um livro dizia: “Penso que este será o último”. E realmente foi! Na madrugada deste 16 de agosto, um dia depois da festa de Maria assunta ao céu, a quem ele tanto amou, foi elevado ao céu o Padre Francisco Janssen, o ‘VIGÁRIO FELIZ DE NOSSA SENHORA DO SAGRADO CORAÇÃO”.

Padre Chico, com a veneranda idade de 98 anos, ao som dos coros dos Anjos, amante da música clássica e sacra, já vê e ouve o que Deus preparou para aqueles que o amam.

Pe. José Roberto Bertasi, mSC, Reitor do Santuário de N.Sra. da Agonia, Itajubá-MG

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