Ao começar este novo ano, a Igreja recorda duas festas litúrgicas que chamam a atenção para a universalidade missionária. São elas: A festa da Paz com sua bênção universal (Nm 6, 22-27; Sal 66) e a Festa da Epifania (Is 60,1-6; Mt 2, 1-2). A salvação é dada para todos os povos. Ser portador destas boas notícias no meio do mundo é ser missionário. É ser irmão universal de muitos povos, raças e culturas. É viver sem fronteiras.
O missionário sempre vive motivado por boas noticias. O Fundador dos Missionários do Sagrado Coração, no inicio da sua congregação já pensava assim: “Que bela a vocação do missionário! Como me sentiria feliz se Deus me concedesse um dia a graça de ser um deles” Nas Constituições da Congregação é marcante este espírito missionário do fundador: “Nós recebemos nosso mandato missionário por meio da Congregação. Este mandato é determinado pelas necessidades da humanidade, pela missão da Igreja, pelas tradições de nossa congregação e pelos talentos e aptidões de cada um” (Const. MSC n. 26).
Para cumprir esta missão, três jovens missionários, cruzaram as fronteiras do Brasil para viver no meio do povo equatoriano. Era a segunda vez que a Congregação chegava a este país. A primeira foi em 1886, quando o Equador foi consagrado ao Coração de Jesus. O tempo passou e cento e dez anos depois, os MSC brasileiros retomaram este sonho do Fundador. Desta vez foram convidados para partilhar a vida com o povo pobre. O lema que adotaram foi: “Peregrinos da Esperança”. O objetivo era: realizar uma missão solidaria entre Brasil e Equador, partilhando a vida, a fé e a esperança. Saíram do Brasil no dia 06 de setembro de 1996, portanto, já são 20 anos de missão “além fronteiras”.
Depois de 20 anos, se pode ver muitos frutos nesta entrega missionária. Houve um esforço para partilhar a vida MSC. Foi possível um trabalho em comunhão com os planos de pastoral das dioceses. A vida fraterna dentro da comunidade MSC, com seu planejamento, oração e projeção para o futuro, foi uma constante. O serviço pastoral, o testemunho da fé, a acolhida do Outro, do diferente de mim, sobretudo dos indígenas com suas etnias diversas dentro da própria paroquia, gerou muita esperança no meio das comunidades. A escuta, a conciliação frente aos conflitos, entre o campo e os centros povoados, geram relações novas baseadas na confiança e na fraternidade. As Missões Populares, as visitas missionarias, a preparação de líderes e de catequistas, foram fundamentais para a superação dos conflitos que existiam nas paroquias de Chunchi, primeiro lugar da missão, e em Palmira – Tixan, segundo lugar de missão.
Eram conflitos que vinham se arrastando por vários anos, provocados pelas lutas para conquistar espaço social, terra e dignidade humana.
Do testemunho missionário, foram nascendo novas vocações para a congregação. Já temos o primeiro diácono MSC equatoriano, ordenado no dia 07 de novembro de 2015, outros dois jovens com votos perpétuos e alguns aspirantes. A família Chevalier se faz presente com a consagração de um grupo de Leigos Missionários do Sagrado Coração equatorianos (LMSC). O reconhecimento do trabalho missionário, por parte do povo equatoriano é grande. Isto nos faz recordar a frase do saudoso Dom Luciano Mendes de Almeida: “Onde há povo, há missão. Onde há missão, há mil razões para ser feliz”.
Você, caro leitor, que está começando um novo ano, você que é um bom cristão, sacerdote, religiosa ou leiga, leigo, o que o impede de viver sem fronteiras, partilhando a vida a fé e a esperança? Já pensou em ser missionário, missionária? São mais de dois terços da população mundial que não conhecem a Jesus, o missionário do Pai. O numero dos indiferentes cresce cada vez mais. Isto o interpela? Comece o ano dando um novo sentido a sua vida cristã. Pense, reze e colabore na missão universal da Igreja. Lute por uma Igreja em saída missionaria, na missão Sem Fronteiras.