Revista de Nossa Senhora
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As Bodas de Caná

Publicado em 5 de janeiro de 2016 / Reportagens >

interna2Não sabemos o nome dos noivos. O que sabemos é que havia uma festa de casamento num lugarejo pobre e esquecido da Galileia. Os noivos são pobres, pois se fossem ricos, não faltaria o vinho. Quem aparece em primeiro plano é a mãe de Jesus. O evangelista João não fala seu nome: – “Maria” – como fazem os demais evangelistas, mas ele usa outros dois termos, tais como: – “a mãe de Jesus” e “mulher”. – É ela quem abre o cenário desta narrativa e o caminho para que Jesus possa realizar o primeiro milagre. Ela impede o constrangimento pelo qual os noivos iriam passar. O evangelista João diz que Jesus e seus discípulos foram convidados para esta festa, porém não diz o mesmo de Maria, pelo contrário; afirma que “a mãe de Jesus estava lá”. Quem sabe ela já tinha ido alguns dias antes para ajudar nos preparativos da festa.

A percepção de uma mãe

A alegria dos noivos era grande. Tudo estava completo. A presença de Jesus e Maria dava um tom diferente àquela festa. Mas logo depois, Maria percebeu algo diferente que preocupava os serventes. Não tinha mais vinho. Sem vinho não haveria mais festa. Isto significa que os convidados iriam embora antes do prazo previsto. Quando terminava o vinho, era costume oferecer aos convidados, um suco de uva, amargo e sem sabor. Quem já estava embriagado, nem percebia mais a diferença. Era chamado o vinho “pior”. Porém, para a maioria dos convidados seria uma decepção. Para as famílias dos noivos, motivo de vergonha. – O que fazer agora? – Onde encontrar vinho de boa qualidade naquele momento da festa? Tudo indicava que aquela festa terminaria num grande fiasco. Da alegria se passaria para reclamações dos convidados.

Jesus é o vinho novo

A necessidade é urgente. O problema a ser resolvido deve ser imediato. O verbo está no presente: – “Eles não têm vinho”. – Os participantes da festa não conheciam o verdadeiro vinho, aquele que Jesus daria gratuitamente. É só por meio de Jesus que obterão o vinho novo, que se opõe ao vinho velho, que é a “lei dos judeus”. Jesus muda a água destinada à purificação dos judeus. Esta água desaparece para dar lugar ao vinho novo. Os ritos judaicos que já não têm nenhum valor para a santificação e devem desaparecer. Algumas perguntas merecem a nossa atenção: – O que em mim é “vinho velho”? – Como evangelizar também em momentos de festas e recreações?

Caná é a festa dos pequenos

A epifania do Verbo de Deus começa no meio de gente simples, os pobres que não têm vinho. Jesus se manifesta primeiro aos serventes, os pequenos, como no dia de seu nascimento, manifestando-se primeiro aos pastores de Belém. Ele não pede muita coisa, somente àquilo que está ao alcance deles e que eles tinham condições de fazer: – “Enchei as talhas de água”. É uma abundância de água. Em breve será o tempo da abundância do vinho. O “noivo” está presente, por isso, é festa.

O novo discípulo

No final deste milagre, em João 2,11 encontramos os frutos desta festa de casamento. Este versículo, embora seja a conclusão, poderia servir como cabeça de todo o relato. Encontramos duas atitudes novas: a) Jesus manifestou sua glória: – É o grande tema do evangelho de João. É a manifestação da própria glória de Deus. É a glória do Filho único do Pai, porque o “Verbo habitou entre nós”. É a superação do Antigo Testamento, onde se apresentava um Deus temível para o qual nenhum ser humano podia olhar, encoberto pelas nuvens, agora, porém, presente em nosso meio. b) Os seus discípulos creram nele: – Todo profeta devia provar a autenticidade de sua missão por meio de “sinais” realizados em nome de Deus. João diz que Jesus realizou aqui o “primeiro sinal” para despertar a fé, primeiramente dos discípulos, depois de todos os presentes e hoje continua repercutindo em toda a Igreja, em todas as famílias.