Revista de Nossa Senhora
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Santuário da Misericórdia e a PORTA SANTA

Publicado em 5 de janeiro de 2016 / Reportagens >

interna3Duas e vinte da tarde de um domingo ensolarado de dezembro, eu chegava à porta do Colégio Nossa Senhora do Sagrado Coração à Rua Planalto em São Paulo-SP. No local, vários fiéis abriam suas sombrinhas para aguentar o forte sol e a peregrinação que teriam pela frente. Pouco antes das três horas, um carro preto chega em meio aos devotos, dele desce o arcebispo de São Paulo Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer. Muito simpático, o arcebispo acena aos fiéis e, poucos minutos, depois dá início a celebração da abertura da Porta Santa no Santuário de Nossa Senhora do Sagrado Coração. Oficializava-se o Ano da Misericórdia e a Porta Santa para Região Belém.

A chamada Estatio (Primeira estação) da celebração contou com a Proclamação do Evangelho e a leitura de um trecho da Bula do Ano da Misericórdia. Com as palavras de Dom Odilo de que “a misericórdia é a alegria de Deus”, os devotos saíram com a peregrinação até o Santuário.

A caminhada foi curta, mas não pouco emocionante. Na frente seguia a fila de sacerdotes da Região Belém junto com o Cardeal e uma multidão de fiéis que tomavam as ruas da Vila Formosa.

A multidão durante a peregrinação já impressionava, maior ainda se tornara a admiração quando chegamos a poucos passos do Santuário. Por lá, centenas de pessoas esperavam no pátio da paróquia pela abertura da Porta Santa. Pouco a pouco, os fiéis se aglomeravam em frente às portas fechadas e ouviam, com devoção, as orações invocadas pelo Arcebispo de São Paulo. Alguns minutos depois, solenemente se abria a Porta Santa da Misericórdia.

A felicidade do povo se misturava com orações, reflexões, ansiedade por passar pela Porta Santa da Misericórdia bem como em registrar o momento com uma fotografia – com celulares nas mãos muitos gravavam o momento da passagem para dentro do Santuário, e alguns até falavam para o vídeo o que estavam sentindo “está lindo aqui, olha toda nossa família presente”, dizia um senhor para a tela do celular.

Já com todos acomodados no Santuário, os bancos cheios e os corredores preenchidos de pessoas em pé, algo chamou atenção: o silêncio da oração. Eram centenas de pessoas, crianças, sob um forte calor que se calaram diante da grandeza daquela missa. A cerimônia seguiu com a aspersão, proclamação da palavra e um sermão tocante do Arcebispo, que dizia entre outras coisas: “Teu Senhor é teu Deus, não reconheces a outros senhores que te humilham e te escravizam. Vamos viver um ano para nos aproximarmos de Deus, um tempo santo de reconciliação”.
Na hora da comunhão, outra agradável surpresa: a dedicação dos religiosos para que ninguém ficasse sem comungar, mesmo aqueles que estavam do lado de fora do Santuário receberam, com piedade, a Santa Eucaristia.

Ao final outro importante Rito, antes da Benção final, Dom Odilo fez questão de lembrar que o Templo Santo onde estava era dedicado à virgem Maria, Nossa Senhora do Sagrado Coração. Rezou acompanhado de um coro de mais de mil vozes a oração da Salve Rainha, Mãe de Misericórdia.

A face daqueles que deixavam o Santuário era de muita alegria. Foram três horas que não se tornaram cansativas, que foram abençoadas. Três horas de orações e de dedicação de voluntários, de religiosos e fieis. A Porta Santa e o Ano da Misericórdia trouxeram e ainda trarão um caminho aberto para experienciar a Misericórdia de Deus.